sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Momento lírico 401

AMARGURADO
(Karl Fern)

Meus ânimos estão se cansando
Otimismos vão-se esmorecendo
Bons tempos estão se perdendo
No meu passado se distanciando
Marcantes alegrias vão recuando
Da minha mente desaparecendo.

Boas lembranças se escondendo
Entre recônditas datas sumindo
Dolente melancolia consumindo
Desilusões me comprometendo
Sinto o corpo devagar morrendo
Enquanto a alma parece fugindo.

Páginas de calendários esvaindo
Novos anos a idade se somando
Cada vez mais velho vou ficando
A juventude ao longe se puindo
Quinhão dos meus pelos caindo
Os que ficam alvos se tornando.

Minha história me acorrentando
Vigor dos velhos tempos se indo
Contos da melhor idade iludindo
Na senectude triste lamentando
Atino morte social me rondando
Amizades nos cortejos seguindo.

Sem liberdade a solidão sentindo
Percebo a velhice com crueldade
Sumiram esperanças da mocidade
Enquanto sonhos vão se diluindo
Instantes até me deixam sorrindo
No repique dos sinos de saudade!

A tristeza fere a força de vontade
Querer viver cada dia minguando
Se desabafo estou importunando
Abandono confundindo realidade
No castiçal da vela acesa da idade
Sou chama aos poucos apagando!

A gente até se descobre pensando
Que esse destino terminal é sorte
Entender seu fim parece ser forte
Vida mais longa é ir se enganando
Sábios poetas disseram cantando
Descanso eterno só após à morte!

©

Um comentário:

Lucena Fernandes disse...

Vixe que tristeza! Não quero essa velhice amarga!