domingo, 27 de setembro de 2015

Momento lírico 398

HÁ DOIS ANOS ATRÁS
(Karl Fern)

Um 30 de setembro doído
Aniversário que nunca quis
Sangram-me lágrimas febris
E em cada seu filho querido
Persiste um coração partido
Tatuado de maligna cicatriz.

Relembro os sinos da matriz
Tocando triste chamamento
Entoando seu sepultamento
Repicando no funeral infeliz
E coroas de flores primaveris
Adornando aflitivo momento.

Espólio cabal do sofrimento
Esquife da madre redentora
Que numa gaveta expiadora
Em um cemitério poeirento
Reteve com tijolo e cimento
O corpo na urna aterradora.

Para os filhos foi professora
Fruía sorrisos com confiança
Sempre fértil de esperança
Estoica guerreira e lutadora
Na vida foi fiel e sonhadora
Na morte eterna lembrança.

Hoje até onde vista alcança
Observando estrelas no céu
Pensamentos vagam ao léu
Com imaginação de criança
Ouso ver su’alma que dança
Por dentro d’um divino véu!

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