sexta-feira, 22 de maio de 2015

Momento lírico 365

O BEM-TE-VI
(Karl Fern)

Ouço que da esquina da rua
Augurando pelo ocaso da lua
No clarear degradê do arrebol
Bravo bem-te-vi faz gracejos
Espalha gorjeados e solfejos
Expectando o nascer do sol.

Lembro a canção do rouxinol
De galos-de-campina no paiol
Concrizes com ricos coloridos
Canários cróceos em terreiros
Pássaros voejantes alpisteiros
Todavia extintos ou sumidos.

Veem-se telhados encardidos
Uns poucos verdes escondidos
Pingos duma paisagem carpida
Conquanto tal símbolo triste
Este rude cantar ainda resiste
Nesta rota liberdade tolhida.

Onde antes existia tanta vida
E todos gozavam sua guarida
Sumiram asa branca e o juriti
E nesta atormentada natureza
Restou pra minimizar a tristeza
O lamento do nobre bem-te-vi!


Nenhum comentário: