sexta-feira, 17 de abril de 2015

Momento lírico 356


NATIVOS DA SECA
(Karl Fern)

É angustiante de ver
A seca no meu Seridó
Esse incessante sofrer
É mesmo de fazer dó
Ver a terra ressequida
A passarada sumida
O sol mais forte queimar
O que restou ainda vivo
Sem ter um bom motivo
A não ser para lamentar.

O horizonte é tremido
Não existe nuvem no céu
Só o sertanejo sofrido
Resiste sob seu chapéu
Ainda bate a esperança
Tempos de nova bonança
O Criador vai mandar
Na oração todo dia
Pede com fé e agonia
Pra chuva logo voltar!

É de cortar coração
Ver cada animal padecer
Olhar toda sua criação
De sede e fome morrer
Não tem capim e sem água
O peito cheio de mágoa
Apela pra Frei Damião!
Mas o bom frei já morreu
Sua alma dele esqueceu
Sua prece parece em vão!

O amor a terra é tão grande
Assim ele não desiste
Em sua alma se expande
O destino de viver triste
É sua sina encardida
O direito por esta vida
Canta em poesia e verso
Numa ilusão presumida
Sente a alma protegida
Pelo Senhor do Universo!



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