quinta-feira, 2 de outubro de 2014

As irmãs cegas de Campina Grande

As três irmãs cegas cantoras de Campina Grande, Paraíba, se chamam Maria das Neves, a Maroca, 60 anos; Regina, a Poroca, 62 anos, e Francisca da Conceição, a Indaiá, 54 anos. Com sua história triste, elas já nasceram cegas, e cantavam nas feiras e portas de igreja, em troca de esmolas.
Fascinado pelo trio, o cineasta Roberto Berliner, em 1997 filmou as três irmãs cantando e contando sua história, o que foi exibido num pequeno programa de TV. Em 1998, ele transformou esse material num curta-metragem chamado “A pessoa é para o que nasce”, sentença que elas não se cansam de dizer.
O filme ganhou diversos prêmios, no Brasil e no exterior, em festivais de curtas-metragens. Elas já haviam aparecido no extinto “Programa legal”, de Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães, mas a repercussão não tinha sido tão grande quanto a do curta e, assim, elas foram convidadas para o festival de música Percpan. Foi a primeira vez que elas receberam cachê para cantar.
Em 2004, depois de passar sete anos acompanhando as cantoras, filmando sua vida conforme os parcos recursos permitiam, Berliner concluiu um documentário de longa-metragem sobre elas. O filme, que também se chama “A pessoa é para o que nasce”, levou as três irmãs a Brasília, onde elas receberam a Ordem do Mérito Cultural. No 15º Cine Ceará, o filme ganhou o prêmio principal do festival. Em 2005, o longa fez uma bela carreira nos cinemas do país e elas chegaram a participar com destaque até numa novela global.
Um caso pitoresco aconteceu quando elas foram então recebidas no Palácio do Planalto pelo então Presidente Luiz Inácio! Este lhes perguntou: “– Até agora vocês  tão gostando do que viram em Brasília?”. Imediatamente uma delas respondeu com irônica simplicidade: “Seu Lula, até agora a gente num viu nada!”...


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