sexta-feira, 13 de junho de 2014

Momento lírico 277

RENASCENDO
(Karl Fern)

Sozinha, silenciosa e triste
Escapando do seu passado
Trem torturante atrasado
Chuva fina perene insiste
Vazio incerto que persiste
Apenas um chão molhado.

Tempo escuro-acinzentado
Em trilhos sem movimento
Revérberos no calçamento
Aos poucos sendo aguado
Solidão feia por todo lado
Embargos no pensamento.

No rebuscar desse momento
Mercê de pranteados danos
Na mente vagueiam planos
Ausente luz ou firmamento
Nítidas dores de sofrimento
No passeio dos desenganos.

Mas renascerão outros anos
Novos abençoados destinos
Livres de aflitivos desatinos
Cortinas de coloridos panos
Palco de cenários humanos
Regado de maviosos hinos.

Tal qual é o bote dos felinos
Dimanando golpes certeiros
O tempo dirá novos roteiros
Propalando raios cristalinos
Destes gestos ora franzinos
Renascerá liberta guerreira.

Das lágrimas desta fogueira
Que arde no íntimo do peito
Atormentando de todo jeito
Restará cinza fugaz e rasteira
De uma aventura agoureira
Rota sem qualquer proveito.

A vida é esse barco veleiro
Navegando grandes viagens
Que de acordo com aragens
Tempos faustos ou nevoeiros
Vai levando seus timoneiros
Ao prazer de novas paragens!


Um comentário:

Lucena Fernandes disse...

Por isso eu gosto deste turbilhão que é a vida. Sempre nos levando por mares desconhecidos, deixando para trás todo desengano, toda tristeza, nos levando a novas descobertas!