terça-feira, 27 de maio de 2014

Momento lírico 272


CLEÓPATRA, A FARAÓ
(Karl Fern)

Foi a mais fascinante rainha
Que o planeta já conheceu
Ramo dinástico de Ptolomeu
Que assumiu o trono sozinha
Quando sua dinastia não tinha
Faraó homem pra ser rei seu.

Desde quando seu pai faleceu
E seu irmão ainda era menor
Não abriu mão do posto-mor
Fiel e carismática não cedeu
Como legítima rainha acorreu
Pra assumir como nova faraó.

Inteligente e de nobre beleza
Seduziu Júlio César o romano
Quando tropas d’além oceano
Subjugaram sua real fortaleza
Com sabedoria e hábil destreza
Conquistou o general soberano.

E assim reinou ano após ano
Com seu povo alegra e absorto
Tendo Alexandria como porto
Ajudando ao governo juliano
Mas pelo Senado republicano
Júlio foi emboscado e morto.

Em Roma havia desconforto
Ela seguiu governando bonito
Adorado no seu pré-requisito
Tratando o reino como horto
Celeiro de alimento e conforto
Gerindo seu território restrito.

Até que foi mandado ao Egito
Marco Antônio, sisudo ditador
General poderoso e opressor
Que não podia ser contradito
Com seu proceder esquisito
Pra ser seu novo governador.

Destoante do povo trabalhador
Obediente aos faraós divinos
Que adoravam desde meninos
Seriam escravos deste senhor
Do estrangeiro conquistador
Dos rudes exércitos Apeninos.

Mas por revirada dos destinos
Depois quando se encontraram
Ambos depressa se apaixonaram
E por inexplicáveis desatinos
Um amor dos mais genuínos
E com paixão se completaram.

Assim o seu Egito governaram
De Roma o general esqueceu
Nos braços da amada se perdeu
Mas os romanos não aceitaram
Sob Otávio Augusto organizaram
A retomada do que achavam seu!

Mas Marco Antonio defendeu
O reino árabe com a tropa leal
Como seu novo território real
Onde sua felicidade conheceu
Então um ardil romano venceu
A resistência épica do general.

Conhecedor do idílio do casal
Otávio mandou pseudo-recado
Pra aquele seu antigo cunhado
Que depusesse as armas afinal
Pois seu solene amor imperial
Cleópatra teria se suicidado

Marco Antônio inconformado
Porque na mentira acreditou
A razão de sua vida se acabou
Mesmo sendo valente soldado
Mas extremamente apaixonado
Pegou sua espada e se matou.

A morte do homem que amou
Desnorteou a rainha formosa
Na mulher valente e preciosa
Sua vida inteira desmoronou
Pensando no amado se deixou
Picar por uma cobra venenosa.

Terminava assim a mais famosa
Mulher que a Antiguidade já viu
Que até os adversários seduziu
Pra manter sua nação poderosa
Cantada ainda em verso e prosa
Através dos milênios se repetiu.

Se o poder a vida lhe consumiu
Com um final trágico e de horror
O romance tão antigo e sedutor
O passar dos anos lhe redimiu
Dessa mulher fantástica persistiu
Sua fascinante história de amor.






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