domingo, 13 de abril de 2014

Momento lírico 263

MESSALINA
(Karl Fern)

Contam que Valéria Messalina,
Imperatriz-consorte romana,
Foi uma mulher fútil e sacana
Desconhecida na fase menina
Teve na destinação de rotina
Casar com imperador banana.

De Nero era próxima parente
Também de Calígula era prima
Assim por baixo ou por cima
Tinha uma linhagem renitente
Vendo-se poderosa e influente
Tornou-se do sexo pantomima.

Ganhou da história a reputação
De ser promíscua e inveterada
Sinônimo de perfídia insaciada
Símbolo de máxima fornicação
Não tinha limites sua traição
Sua vida era sexo e mais nada.

E com esse currículo encardido
Desrespeitou o seu casamento
O disse-me-disse do momento
Até ter o seu nome envolvido
Na conspiração contra o marido
E assim não restou salvamento.

Com a descoberta do tal plano
Viu-se sumariamente julgada
E impiedosamente executada
Quarenta e oito era aquele ano
Salvo algum histórico engano
Terminou sua história afamada.

Perpetuada na arte e literatura
Até hoje lhe é devida atenção.
Vinda de sua infeliz reputação
De menina nova e talvez pura
Casada muito nova e insegura
Com um imperador sem noção.

Sem vida antes do casamento
Tornou-se implacável predadora
Sexualmente insaciável pecadora.
Caída num político movimento
Teve seu fatídico passamento
No fio d’uma espada executora.

Tácito e Suetônio historiadores
Retrataram essa devassa latina
Banida pela Imperadora Agripina.
Escrachada pelos seus sucessores
Tida como imperatriz dos amores,
Assim é a memória de Messalina!
Foto: Messalina, Eugène Cyrille Brunet(1884). Museu de Finas Artes de Rennes.

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