sexta-feira, 18 de abril de 2014

Doenças não tão modernas

Uma equipe britânica de arqueólogos descobriu arteriosclerose em esqueletos africanos de 3 mil anos, o que demonstra que a doença não se deve só a fatores próprios da vida moderna, como o hábito de fumar, a hipertensão e a obesidade.
Os indícios de arteriosclerose (um estreitamento das artérias que pode impedir a circulação do sangue) foram encontrados em corpos preservados em um túmulo de uma comunidade agrícola que vivia perto do Nilo, Amara West, 750 quilômetros ao norte de Cartum, Sudão.
Entre os ossos preservados na areia, de três homens e duas mulheres, entre 35 e 50 anos e de diferentes classes sociais, que supostamente morreram entre 1.300 e 800 a.C., notou-se pequenas amostras de placa calcificada que na época deveriam forrar as artérias, obstruindo o fluxo sanguíneo, o que pode ter causado tromboses e acidentes vasculares cerebrais.
As placas arteriais calcificadas nesses esqueletos de 3 mil anos atrás demonstram que a arterioesclerose não é só um problema causado por nosso atual estilo de vida, mas pode estar relacionado com a inflamação, o histórico genético e o envelhecimento em geral.
Os analistas consideram que a fumaça pode ter desempenhado um papel no desenvolvimento da doença, já que os nativos utilizavam grandes fogueiras para cozinhar e fazer objetos de cerâmica e de metal. A saúde dental precária dos corpos também pode estar relacionada à arterioesclerose, da mesma forma que hoje em dia as doenças das gengivas podem ser indicativas de transtornos cardiovasculares.
Anteriormente, a mesma equipe havia descoberto em outro esqueleto enterrado na mesma região, datado de 1.200 a.C., indícios de câncer em metástases, em mais uma demonstração que os fatores que levam a estas doenças não são só produto da vida moderna, mas pode haver fatores ambientais que podem ter existido durante milhares de anos.
Fonte: Revista Eletrônica AMBIENTE BRASIL (via newsletter)


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