sábado, 29 de março de 2014

Momento lírico 260

JANELA DO TREM
 (Karl Fern)

Naquela janela envidraçada
Refletia-se fascinante beleza
Duplicava com toda clareza
A feição sublime e delicada
Que mesmo sem contar nada
Parecia-me ser uma certeza
Pela hábil mão da natureza
Sua face havia sido moldada!

Cabelos levemente bailavam
Enquanto o trem prosseguia
Um fascínio em mim acendia
Meus pensamentos vagavam
Mágicas canções ressoavam
Um perfil que a mim parecia
De intensa e divinal harmonia
Como os poetas imaginavam.

Joia preciosa e deslumbrante
Pelo divino artesão lapidada
Tinta numa redoma estrelada
Num ritual terno e palpitante
Fino e maravilhoso semblante
Em raios mímicos sombreada
Na nave do tempo encantada
Na face da paisagem mutante.

Como em um delicioso sonho
Qual se desperta de repente
Aquela moldura imponente
Foi-se num instante bisonho
Deixou-me frágil e tristonho
Era sua estação finalmente
Tal tela desfez-se docemente
Restou-me um suspiro risonho!

Um comentário:

Lucena Fernandes disse...

Lindo devaneio! Pintou um quadro perfeito!