segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Momento lírico 195

SERIDOZÊS
(Karl Fern)

Que quer dizer caixa bozó,
Caixa prego e bexiga lixa,
Cochicha o rabo espicha,
E tá atolado até o gogó?
Esse povo do meu Seridó
Até no desaforo capricha.

Que pra baixa da égua vá
Se tá com o cão no sedém
Pegue os picuai e terém
Se arranche no seu lugar
Do inferno mais pra lá
E se amancebe também.

Se o lugar é muito ruim
Diz que é o cu do mundo
Que vá pra lá o vagabundo
Um amaldiçoado sem fim
Uma gota serena assim
É lugar de nojento imundo.

Que será mãe de patanha
E pau de dar em doido?
E o que é doido varrido?
Essa até o doido estranha
Lá doido também apanha
Basta ser doido enxerido.

Esse infeliz da costa oca
Ah, um tabefe no toitiço
Pano de amarrar panariço
Se tem sangue de tapioca
Casca de peido e potoca
Que mulinga é tudo isso?

Quem não pagar seu fiado
A praga come no centro
O cão dos infernos dentro
Fedendo a chifre queimado
Ao seiscentos diabos é dado
Essa de praga eu não entro.

Algumas a gente escuta
Até que se entende ela
Como dá no meio da canela
Ou então tá com a brucuta
Língua de trapo, sinha puta
Compõem essa aquarela.

Um amaldiçoado da sorte
Tem toda sorte do mundo!
Um contraditório profundo
Pra quem tem juízo forte
Aprenda e não se importe
Esse linguajar tão fecundo.

Ave Maria, credo e cruz
Quando o nego tá azilado
Tudo que faz dá errado
Recorre então pra Jesus
Pra ver se do céu vem a luz
Que tire todo mau olhado.

A lista é bem comprida
Engraçado a gente ouvir
E rimar com as falas dali
E sem a origem sabida
Pra rima não ser estendida
Eu vou ficando por aqui.
Fonte: MINHA RIMAS II

2 comentários:

Lucena Fernandes disse...

Acho que é nordestinês, pois, conheço todas elas.
Muito engraçado quando junto tudo!

Anônimo disse...

Pôxa! Quanta coisa engraçada, não conhecia nem a metade!

LEGAL!