quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Momento lírico 184

SELVAGERIA & SELVAGERIA
(Karl Fern)

Era uma torre pintada
Barras de liga esmaltada
Noventa metros de altura
Era uma subida bonita
Furando o céu como fita
Numa esbelta estrutura.

E nela estava pousada
Parecia não querer nada
Uma bela ave de rapina
Nem grande nem pequena
De uma penagem morena
Quieta, vigilante e ferina.

No céu voava a andorinha
Não via o perigo que vinha
Dos lados daquela antena
Desfilava ternura e beleza
Flutuando com singeleza
Bailando leve e serena.

Com seu olho aguçado
De inimigo esfomeado
Firmou seu golpe de sorte
Como presságio inocente
Naquele ambiente silente
Veio a sentença da morte!

Voou firme e sorrateira
Como flechada certeira
De um arco disparada
Com um alvo definido
Marcado e desimpedido
A andorinha foi garrada.

Sem chances de escapar
Pôs o derradeiro olhar
Na sua algoz poderosa
Sem poder salvar a vida
Dilacerada vai abatida
Pela garra impiedosa.

Pior é a humanidade
Sabe que só na igualdade
Viveria com paz e justiça
Mas escrava da ganância
Pratica a intolerância
Impregnada pela cobiça.

Mesmo sabendo a lição
Poderosos perdem a noção
Sob estigma da maldade
Movidos pela ambição
Subtraem a vida do irmão
Com bestial perversidade.
 (*) Do meu livro MINHAS RIMAS II

3 comentários:

Lucena Fernandes disse...

Esta foi uma das melhores comparação entre homens e animais.
Parabéns!

Anônimo disse...

Triste realidade! Belo poema!

Parabéns!

Anônimo disse...

Sonhei esse sonho também professor, só não sei como contar em versos como fez divinamente!

Muita emoção aqui!