sexta-feira, 21 de junho de 2013

Momento lírico 171

POETAS
(Karl Fern)

Poeta é uma criatura
De instantes solitários
Com intuitivos corolários
Compõe suas partituras
Amalgamado de ternuras
Redige seus breviários.

Seus sonhos são intuídos
Nas letras da liberdade
Na alegria ou saudade
Saudáveis ou até feridos
Lavrados e constituídos
Com aura de felicidade.

Contém o choro silente
Lágrimas vêm do coração
Seu plangor é uma oração
Numa lamúria paciente
Pois na dor que ele sente
Forja estrofes de aflição.

Nas alegrias comedidos
Avia loas de alacridade
Pinta finória sagacidade
Esboça versos atrevidos
Do intelecto absorvidos
Semântica da fertilidade.

Na ausência de carinho
Um luar é seu parceiro
O infinito o companheiro
A imensidão o caminho
A mente um redemoinho
Num poema o paradeiro.

Tendo o céu como limite
Com estrelas pontuado
Exprime-se emocionado
Em palavras seu apetite
Expõem com seu grafite
Esse dom abençoado.

Como eterno enamorado
Na euforia ou na tristeza
É da sua própria natureza
Mesmo se amargurado
Quando está inspirado
Em tudo encontra beleza.

Fiz muita coisa na vida
Mas nesta rima discreta
Conto minha ânsia secreta
Uma querência escondida
Minha frustração contida
Quisera eu ser um poeta!


2 comentários:

Anônimo disse...

Belíssimo!

Lucena Fernandes disse...

Um poeta unca está sozinho. Quem dera eu fosse um poeta!