sábado, 6 de abril de 2013

Momento lírico 158

A VISÃO
(Karl Fern)

Sob raios de um sol poente
Meus olhos fizeram festa
Ouvi musicais de seresta
Sininhos em minha mente
Sobressaíram alegremente
Rubores em minha testa.

Era um perfil sem aresta
Com um brilho fascinante
Uma sombra emocionante
Ombreou-se nada modesta
Fez minha alma ingesta
Alvoroçar-se mais radiante.

Coloriu-se linda e mutante,
Acelerou meu coração
Encheu-me de comoção
Um toque estimulante
Paralisou meu semblante
Prendeu-me a respiração.

Pulsei de sóbria emoção
Flutuei com suavidade
Pensei na casualidade
Da caminhante revelação
Um poema de exaltação
Excitou-me ante a beldade.

Eis que a visão da deidade
Surgida no meio da praça
Brilhante e cristalina taça
Do vinho da generosidade
Pórtico real da felicidade
Foi-se como fugidia caça.

O vulto cheio de graça
Que chegou tão de repente
Ocultou-se apressadamente
Como aparente fumaça
Legando a aura que abraça
Mimos de um sol poente.


Um comentário:

Anônimo disse...

Os poetas em geral gostam de poemas com final triste! Será toda felicidade tem que acabar um dia? Será que não existem poemas com final feliz? Mesmo assim não posso negar que é um belo poema!

Parabéns!