terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Momento lírico 142

DOCE PECADO
(Karl Fern)

O Criador teve a certeza
Quando olhou pra criatura
Sentiu falta de ternura
Não tinha tanta beleza
Ausência de delicadeza
Sua imagem não era pura.

O bicho era muito grosso
Tinha queda de cabelo
Na pele tinha muito pelo
Tinha um nó no pescoço
Por dentro só tinha osso
Por fora um desmantelo.

A voz ficou grave demais
Dava até pra fazer medo
Era um simples arremedo
Do principal dos animais
Precisava melhorar mais
Aquele primeiro enredo.

Mas uma criatura daquelas
Não deveria ser eliminada
Alguma parte seria usada!
Como tinha tantas costelas
Qualquer que fosse delas
Poderia ser dele retirada.

Da costela fez no Paraíso
Sua mais divinal criação
Livre de toda imperfeição
Com tudo que era preciso
E com um amável sorriso
Deu-a de presente a Adão.
.
Era a criatura mais bela
De venustidade delicada
Coberta de pele acetinada
Uma fascinante donzela
Logo Adão percebeu nela
Sua companheira adorada.

Seu rosto era harmonioso
Olhar meigo e insinuante
Aquele sorriso provocante
Corpo de perfil melodioso
Todo imponente e fogoso
E um cheirinho atordoante.

Tudo nela era atraente
Livre de músculos torcidos
Repleto de órgãos tecidos
Como de sedas do oriente
Voz carinhosa e sorridente
Formosa em todos sentidos.

Mas a invejosa serpente
Enciumada criou um plano
E com um truque leviano
Enfeitiçou a mimosa vivente
Enganou-a impiedosamente
Causando um perpétuo dano.

Mas Deus com sua piedade
Mesmo não sendo perdoados
Não tirou seus predicados
E para a imensa felicidade
As mulheres são de verdade
Os nossos mais doces pecados.

3 comentários:

Anônimo disse...

DOCE PECADO.... tudo de bom!

ADOREI!

Lucena Fernandes disse...

Delícia!

Carla Fernanda disse...

Com uma performance dessas eu acabo ficando desempregada!