domingo, 10 de fevereiro de 2013

Momento lírico 134

TAL QUAL
(Karl Fern)

Paixão é tal qual réstias espectrais
Dos lustres pênseis bem iluminados
Em áureas correntes dependurados
Balouçando nos tetos das catedrais
Os quais com seus portes magistrais
Lançando reflexos multiofuscantes
Emitem tons luminosos e brilhantes
Mas se das alturas são despencados
No chão serão só cacos estilhaçados
Inúteis fragmentos feios e cortantes.

É do carma misticista das afeições
Nada será imortal ou permanente
Floresce e pode acabar de repente
Como o sopro da brisa nos sertões
Castelos iluminados sofrem apagões
Até um roseiral antes deslumbrante
Esvaece o viço no murchar galopante
Transmutando um império de sonhos
Em campos desérticos e medonhos
E cascatas de lamentos suplicantes.

Sobre as cinzas de uma forte paixão
Rolam lágrimas sofridas inutilmente
Perdidas como uma estrela cadente
Semeando agruras de dor e solidão
Plantando mágoas no doído coração
Soprando vendavais de idas ilusões
Ondeando sobre oceanos de aflições
Ainda bem que o tempo cura feridas
E para preservarmos nossas vidas
Veremos alvorecer novas emoções!



Um comentário:

Lucena Fernandes disse...

Será que o tempo cura a paixão ou a transforma em amor?