segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Biografias de brasileiras - 17


Luísa Leonardo (1859-1926)
Compositora, musicista e atriz nascida no Rio de Janeiro, um dos mais brilhantes talentos artístico-literários dos séculos XIX-XX no Brasil. Filha do professor de música no Instituto Benjamin Constant e afinador da Casa Artur Napoleão e do Paço Imperial, Vitorino José Leonardo e de Carolina de Oliveira Leonardo, também era bisneta da Viscondessa de Nassau, desde cedo estudou música e, aos oito anos, deu seu primeiro concerto diante do Imperador D. Pedro II (1825-1891) que, impressionado, tornou-se seu padrinho e custeou seus estudos na Europa.
Permaneceu em Paris durante seis anos, onde frequentou o Conservatório de Música e, ao formar-se, era consagrada como virtuose e primeira intérprete de Chopin, e tornou-se pianista oficial da Real Câmara de Luís I, em Lisboa (1880). De volta ao Rio de Janeiro e não foi valorizada como musicista e passou a se dedicar ao teatro e estreou na Companhia Fanny, no Teatro Politeama, de Salvador (1885).
Casou-se com o pintor português radicado no Brasil Augusto Rodrigues Duarte (1848-1888), com quem tem dois filhos, Saul e Vítor, falecidos ainda crianças. Viúva, mudou-se para a capital baiana e passou a ensinar canto e piano, enquanto escrevia para jornais e revistas do Rio, São Paulo, Pará, Pernambuco e Bahia. Voltou a atuar como atriz interpretando muitos papéis de peças importantes ou criados especialmente para ela pelo seu grande amigo, o dramaturgo e diretor de teatro Francisco Moreira de Vasconcelos.
Como atriz interpretou muitos papéis de peças importantes como Casa de bonecas, do dramaturgo norueguês Henrik Johan Ibsen (1828-1906) e Dama das camélias e Maria Tudor, do novelista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e ativista Victor-Marie Hugo (1802-1885), além de muitos outros, criados especialmente para ela por Vasconcelos. Depois da morte de seu grande amigo Vasconcelos, encerrou sua carreira dramática e morou na Argentina e Paraguai, dando concertos.
Com dificuldades financeiras, retornou ao Brasil e foi acolhida por um colégio de freiras no Rio de Janeiro. Depois retornou à Bahia, onde algum tempo depois (1903) casou-se com o engenheiro, escritor, dramaturgo e crítico Sílio Boccanera Júnior (1863-1928), o qual se tornaria seu biógrafo, publicada na Revista do Grêmio Literário da Bahia.
Sob o pseudônimo Vítor Luís, escreveu para A Gazetinha e em prosa e poesia para a Revista do Grêmio Literário da Bahia e morreu em Salvador. Prestigiada em todo o meio literário brasileiro por nomes como Carlos Gomes (1836-1896), Olavo Bilac (1865-1918) e Machado de Assis (1839-1908), de quem foi amiga, além de peças para revistas teatrais, para canto, violino, flauta, clarineta e, sobretudo, para piano, compôs o Hino a Carlos Gomes, o publicou o romance Gazel, a peça Calvário  - cujo manuscrito foi enterrado com Francisco Vasconcelos - e vários poemas de influência simbolista. Consta que, ao lado de Chiquinha Gonzaga (1847-1935), escreveu também para o teatro musicado.

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