quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

13 de fevereiro: Dia mundial do rádio

A Organização das Nações Unidas (ONU) comemora nesta quarta-feira (13) o Dia Mundial do Rádio. Para celebrar a data, publicamos aqui o resumo biográfico deste ilustre e injustiçado brasileiro, copiada de meu site SÓ BIOGRAFIAS! (Apesar de extensa, leiam pra sentir  porque somos tão atrasados cultural e tecnicamente!)
Roberto Landell de Moura (1861-1928)
Religioso e inventor brasileiro nascido em Porto Alegre, capital do Estado do Rio Grande do Sul, considerado o patrono brasileiro das telecomunicações e do radioamadorismo do Brasil e um dos mais injustiçados inventores da história científica brasileira. Filho de Ignácio José Ferreira de Moura e Sara Mariana Landell de Moura, ambos de tradicionais famílias rio-grandenses, sendo o pai descendente de portugueses e a mãe de escoceses. Foi educado na Escola Pública do Professor Hilário Ribeiro, no bairro da Azenha e, a seguir, entrou para o Colégio do Professor Fernando Ferreira Gomes. Com 11 anos (1872) entrou no Colégio Jesuíta de Nossa Senhora da Conceição, de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, onde concluiu o curso de Humanidades e seguiu para a Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Destinado a seguir a carreira eclesiástica, em companhia do seu irmão Guilherme, seguiu para Roma para estudar direito canônico e matriculou-se (1878) no Colégio Pio Americano e na Universidade Gregoriana. Completou sua formação eclesiástica em Roma, formando-se em Teologia e ordenado sacerdote (1886). Ele também aproveitou seu período de estudos em Roma para estudar física e aprofundar-se nas pesquisas sobre a possibilidade de enviar e receber sons e sinais pelo ar, a grandes distâncias e sem a ajuda de fios. Voltou ao Brasil (1886) e foi nomeado capelão da Igreja do Bonfim e professor de História Universal no Seminário Episcopal de Porto Alegre (1887). Foi vigário, por um ano, na cidade de Uruguaiana (1891) e no ano seguinte foi transferido para o Estado de São Paulo, onde foi vigário e serviu em uma série de cidades do interior paulista. Paralelamente, como autodidata, continuava pesquisando e logo desenvolveu um aparelho formado por uma válvula e três eletrodos. Começou a executar estudos e experiências em Mogi das Cruzes (1892) e em Campinas (1893). Em seu primeiro teste na capital do Estado (1894) quando transmitiu um sinal da Avenida Paulista que foi captado no Colégio Santana, a 8 quilômetros de distância, onde era capelão. O padre brasileiro transmitia, assim, pioneiramente, voz que até então só era possível por telegrafia e sua experiência é tida como o marco inicial da radiotransmissão. Efetuou uma demonstração pública de seu invento (1900) através de ondas eletromagnéticas moduladas, testemunhada por um repórter do Jornal do Comércio e um representante do governo britânico. Já existiam na época o telégrafo, inventado por Samuel Morse (1807), o telefone de Graham Bell (1876) e a radiotelegrafia do italiano Guglielmo Marconi (1895), mas todos utilizando fios. Censurado pela Igreja e considerado louco por seus contemporâneos, foi acusado de pacto com o demônio. Foi acusado de bruxaria, por falar e ouvir vozes do além, e seu laboratório foi destruído por moradores de Campinas, incentivados pela desconfiança da diocese paulista. Com muita luta, obteve uma patente brasileira (1901) e foi para os Estados Unidos tentar uma patente internacional. Depois de três anos morando nos EUA, obteve (1904) três cartas patente: Transmissor de ondas, Telefone sem fio e Telégrafo sem fio. Enquanto seu rival italiano ficava famoso, ele era perseguido no Brasil, sendo inclusive lhe negado o apoio oficial. Para fazer uma demonstração pública de seu aparelho foi pedir ajuda oficial a presidência da República. Foi recebido (1905) por um assessor do presidente Rodrigues Alves, que o considerou um maluco e, assim, cassou a grande chance de mudar sua sorte e a da tecnologia de ponta do país. Cônego do Cabido Metropolitano de Porto Alegre, foi elevado pelo Vaticano a Monsenhor (1927) e nomeado Arcediago (1928), morreu seis meses depois, aos 67 anos, atacado pela tuberculose, em um modesto quarto da Beneficência Portuguesa de Porto Alegre, cercado apenas por seus parentes e poucos amigos fiéis. Enquanto o padre brasileiro não teve o devido reconhecimento por seus compatriotas, pela imprensa e autoridades brasileiras da época, Marconi contou com a ajuda do governo italiano para divulgar seu intento e levou o crédito da invenção porque contou com aquele fundamental apoio e sua experiência ficou tida como o marco inicial da radiotransmissão: a radiotelegrafia de Guillermo Marconi (1895). O Exército Brasileiro, em homenagem ao cientista gaúcho, concedeu a denominação histórica de Centro de Telemática Landell de Moura ao 1° Centro de Telemática de Área, organização militar de telecomunicações situada na cidade de Porto Alegre (2005).


Um comentário:

Lucena Fernades disse...

Grande injustiça! Muito interessante essa matéria!
Parabéns!