sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Momento lírico 124


INFERNO E PARAÍSO
(Karl Fern)

Não existe mais belo na natureza
Ambiente mais divino e celestial
Ver a chuva cair sobre o matagal
Espraiando tudo de infinita beleza
Trovão roncando na redondeza
Riacho escoando ao nascer o dia
O sertão em festa, é todo alegria
Canta a jia choca e coaxa o cururu
Voa abelha do arapuá e do enxu
Busca pegar o mel de todo dia
Em especial apanhar essa iguaria
Na maravilhosa flor do mandacaru!

Raios sol brilham entre nevoeiros
Névoa cobrindo o pico das serras
Perfume brota das úmidas terras
O mais fino e delicioso dos cheiros
Dando mais riqueza aos tabuleiros
Pra babugem nascer viçosa e forte
Agradecendo a Deus a sua sorte
Pintando um tapete verde-escuro
Os maxixeiros em fértil monturo
Logo aparecem e irão florescer
Muitas outras ramas hão de nascer
Tudo é bendito e vive com apuro!

O besouro mangangá reaparece
Corre esfomeado o cavalo do cão
Buscando sua comida pelo chão
A mutuca sanguinária aborrece
A borboleta colorida resplandece
Muitas aves pelos céus revoam
Cantos de acasalamentos ecoam
A asa branca, o juriti, o concriz,
A rolinha, a seriema , a codorniz,
A marreca, o pato e o putrião
O socó, a jaçanã e o mergulhão
Uma fauna farta colorida e feliz!



De longe se ouve claro o bem-te-vi
O desafio das aninhadas cacurutas
Pássaros partem cedo pras labutas
Cantam o craúna, a rolinha, o juriti
O pássaro-preto, o golinha, o colibri
O tisiu, o rouxinol, o sibite baleado
O tetéu corre solto o descampado
O canário sobre a cerca estribilha
Na relva os preás criam sua trilha
Surge o galo-de-campina e o sabiá
Parece praga o perigoso carcará
No inverno, um sol mais alvo brilha.

Bovinos escaramuçam no cercado
Caprinos berram soando felicidade
Borregos saltitam a toda vontade
Galinhas ciscam no chão molhado
Cachorro corre no meio do gado
Os peixes pululam nas cachoeiras
Depositam suas ovas nas ribanceiras
Tudo em volta é motivo pra sorriso
Pensar em miséria não é preciso
Se o vento sopra firme do poente
É bom sinal de chuva novamente
De repente o sertão é um paraíso.

Raposas aparecem em profusão
Tudo quanto são aves de rapinas
Peneiras e gaviões nas campinas
Buscam caçar répteis ou camaleão
Da copa de árvores apuram a visão
Procriam-se pebas, tacacas e tejus
Maracanãs, papa-sebos e lambus
Não faltam folhas, frutas, sementes
Todos andam ou voam contentes
É a vida premiando o nordestino
Na seca doa a Deus o seu destino
Na chuva agradece-lhe eternamente.


2 comentários:

Anônimo disse...

Muito bem lembrado, tudo é verdade, o retrato do interior!

Parabens!

Lucena Fernandes disse...

Chuva bendita, que modifica toda a paisagem, dando novo alento ao nordestino!