quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Biografias de brasileiras - 14

Índia Isabel ( ? - 1585)
Índia escravizada e cristã brasileira nascida na Bahia, vítima da crueldade de seu senhor, o cristão-velho e desafeto do jesuítas, o cruel Fernão Cabral de Taíde (1541-1594?), proprietário de engenho e da Sesmaria do Jaguaribe, no Recôncavo Baiano, hoje Nazaré da Mata, onde ficava uma santidade indígena, a mais famosa e documentada dessas comunidades heréticas no Brasil,  de idolatrias gentílicas insurgentes, a Santidade de Jaguaripe, Bahia (1585-1586), liderada por um índio de nome Antônio, que fugira da missão jesuítica de Tinharé.
A Santidade era um movimento espontâneo, reunindo índios fugidos das aldeias jesuíticas e das fazendas de açúcar, que teve a certa altura de sua história o auxílio desse poderosíssimo senhor de engenho, que resolveu atrair a Santidade indígena para suas terras, mediante a promessa de que ali os índios teriam apoio e liberdade de culto. No período entre 1560 e 1627, a Santidade sobreviveu no sul da Bahia. Índios, e mais tarde negros escravos africanos ou crioulos fugidos, uniam-se em operações militares contra os povoados habitados por portugueses, especialmente contra as plantações de cana-de-açúcar e os engenhos do sul do Recôncavo. Conforme o relato do Governador Diogo de Menezes, em 1610, havia mais de 20 mil índios e escravos fugidos nas aldeias.
Sob a acusação de ter contado casos amorosos de Fernão a sua mulher, Margarida da Costa, este ordenou ao feitor, Domingos Camacho, que a queimasse viva na fornalha da fazenda, o que ele fez ajudado pelo escravo guiné João. O episódio teve enorme repercussão na Bahia. Esta situação gerou perturbações na capitania da Bahia, até que fosse ordenada a destruição da Santidade pelo governador Teles Barreto (1585).
Seis anos depois deste episódio chegou à Bahia o visitador inquisitorial, Heitor Furtado de Mendonça, encarregado de averiguar judaização, bigamia, sodomia, e o episódio foi denunciado a esse Tribunal do Santo Ofício, por ocasião da visitação do Santo Ofício à Bahia (1591-1593) e aberto o processo inquisitorial contra Taíde, numa denunciação de 17 de agosto (1591), em que Paulo d’Almeida acusava o senhor de engenho de haver tentado amorosamente a uma irmã da denunciante e duas vezes comadre do denunciado.
Fonte: SÓ BIOGRAFIAS (http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/)

Um comentário:

Anônimo disse...

Tristeza... Ser queimada por satisfazer o outro, "forçada"!!! Muito triste!

snif...snif..