segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Momento lírico 107




NINGUÉM MERECE...
(Karl Fern)

Dramática e dolosa prisão
Em aparente liberdade
Imerso em cabal ansiedade
De angustiante sensação
Maltratando um coração
Em permanente agonia
Que seja noite ou seja dia
Um estado de impaciência
Confusa dose de demência
Sobrevivência sem alegria

Amargurado em letargia
Perdido em tino ou iniciativa
Lídima tensão opressiva
Cravada na mente arredia
Mórbida sensibilidade vazia
Torturando sem piedade
Esvaziando alguma felicidade
Pungente vida de amargura
Virtual abismo da loucura
Ingênuo na força de vontade.

Penosa ausência de carinho
A falta de um bem querer
Retraimento no conviver
Penúria de quem é sozinho
Perfurando que nem espinho
Furtivo existir sem emoção
Alma aflita e sem afeição
Na carência de um abraço
Refém num dramático espaço
Torturante dor sem solução!

Solitário, doente, compulsivo
Sob o tempero da saudade
Atiçado pelo fogo da insanidade
Não passa de vivente cativo
Subsiste como morto-vivo
Aflita criatura sem noção
Absorto em vaga imaginação
Se mostra aguda prova fiel
Vítima do sofrimento cruel
NINGUÉM MERECE A SOLIDÃO!

Um comentário:

Anônimo disse...

É Exatamente assim a solidão, e ninguém merece vive-la!

Parabéns por mais esta obra!