quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Momento lírico 93


O PASSAGEIRO
(Karl Fern)

Não nasci pra morrer muito cedo
Vim ao mundo pra ser como o vento
Livre e solto desde o meu nascimento
Não ser preso a um preposto enredo.
É difícil, algum tempo até tive medo
De ser infeliz e não ser livre de ciúmes
Condição de impasses e queixumes
Com prazos, limites ou dependências
Escravo de segredos ou confidências
Carente de apreço aos bons costumes.

Do divino ganhei minha inteligência
Pra aprender o que é certo ou errado
Não mentir e nem viver enganado
Portar-se com coragem e sapiência
Viver entre os limites da decência
Construir um passado sóbrio e puro
Nunca me orientar pelo obscuro
Não ser guiado como rebanho de gado
Que segue obediente e chicoteado
Aceitando o matadouro como futuro.

Se por acaso não for compreendido
Ou sentir ter minha opinião relegada
Simplesmente não vou revidar nada
Mas nunca me mostrarei arrependido
Nem me portarei como um vencido
Pois a alegria dos hoje vencedores
Amanhã pode ser choro de perdedores
Defenderei meus ideais e opiniões
Manterei minhas pessoais convicções
Do que virá só os céus são senhores.

Vestindo a vida, evitando dissabores
Entretendo-me e zelando a amizade
Colhendo o sentimento de liberdade
Curtindo na plenitude meus amores
Olvidando momentos de temores
Manducando as deliciosas sensações
No prazer das românticas emoções
As volúpias de um amor verdadeiro
Na intimidade da amada por inteiro
Vivendo na felicidade das canções.

Para os que de mim discordarem
Que me aceitem assim como sou
Numa cartilha diferente eu não vou
Sigam pelo caminho que acharem
Pelos corredores da vida a vagarem
Eu vou seguir com são os nuvueiros
Soltos no ar sombreando tabuleiros
Jogando água por onde forem chover
Fazendo o bem é que se deve viver
Pois da vida todos somos passageiros.

Foto: Sangria do Zangarelhas (2004)

Um comentário:

Anônimo disse...

Perfeito e muito verdadeiro! lindo demais!

Como sempre ADOREI!