sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Biografias de brasileiras - 09

Felipa de Souza (1556 - >1600)
Nascida em Tavira-Algarve, Portugal, veio para o Brasil em data ignorada. Viúva, casou com o pedreiro Francisco Pires, em Salvador. Era alfabetizada, um fato extraordinário na época, e tinha 35 anos quando ocorreu a primeira visitação do Tribunal do Santo Ofício, denunciada porque gostava de mulheres. Foi denunciada por práticas nefandas e presa em 18 de dezembro (1591) e acabou confessando casos com pessoas do mesmo sexo, envolvendo outras mulheres moradoras de Salvador.
No processo, a cristã-velha Paula de Siqueira, 40 anos, pressionada por possuir um livro proibido em sua casa, acabou revelando seu romance e tornou-se sua principal acusadora. Em um dos depoimentos afirmou que "... estando ela confessante em sua casa nesta cidade, veio a ela a dita e ambas tiveram ajuntamento carnal uma com a outra por diante e ajuntando seus vasos naturais um com o outro, tendo deleitação e consumando com efeito o cumprimento natural de ambas as partes como se propriamente foram homem com mulher".
Cerca de 29 mulheres foram denunciadas como praticantes do lesbianismo, mas ela foi a mais castigada de todas. Foi severamente punida pela Inquisição, tendo como pena a o açoite público. Condenada ao degredo, foi obrigada a ouvir sua sentença na igreja da Sé, em pé, com uma vela acesa na mão e trajando uma veste de linho cru áspero usada para identificar os heréticos, enquanto seus pecados e crimes eram declamados em voz alta.  Após ter sido exposta publicamente, foi presa ao pelourinho, açoitada cruelmente e expulsa para sempre da capitania (1592). Depois de expulsa não se teve notícias de seu padeiro. Paula teve uma pena bem mais branda, provavelmente por ser a mulher do contador da fazenda, e foi condenada a 6 dias de prisão depois de pagar 50 cruzados, mais duas aparições públicas como ré e algumas penalidades espirituais.
Por ter sido a mulher mais humilhada e castigada da colônia, como homenagem seu nome criada a ONG Felipa de Souza (1998) e o principal prêmio internacional de direitos humanos dos homossexuais, o Prêmio Felipa de Souza. O Tribunal do Santo Ofício da Inquisição foi instalado em Portugal (1536) e perdurou por quase três séculos (1591-1821), período em que também atuou nas colônias portuguesas. O Santo Ofício chegou logo ao Brasil (1591) através do padre português e Visitador da Inquisição Portuguesa, primeiro inquisidor oficial nas terras brasileiras, Heitor Furtado de Mendonça, que anunciou, em Salvador, Bahia, o Edital da Fé, a lei da Inquisição, a partir dali em vigor na Colônia.

5 comentários:

Prof. Adinalzir disse...

Olha eu ai no blog do Prof. Carlos Fernandes. Meus parabéns pela excelência dos textos e opiniões! Estarei colocando um link no meu blog e também divulgando nas redes sociais. Um grande abraço,

Professor Carlão disse...

Grande colega Professor. Obrigado pelos elogios. Agora que me aposentei, tou tirando onda de poeta! Que achou? Quando a net melhorar vou colocar o link do seu blog de história! Agora tou com um molden portátil (no interior do RN)e o sinal é muito ruim e lento! Um fraterno abraço!

Anônimo disse...

Esse quadro é dos meus preferidos, Gostaria de ver publicado aqui a FLORBELA ESPANCA, uma das minhas poetisas preferidas!

Um abraço!

Professor Carlão disse...

Florbela Espanca (1894 - 1930), poetisa e escritora feminista portuguesa nascida em Vila Viçosa. Ela viveu sempre em Portugal e o quadro é de mulheres brasileiras ou que vieram para cá e se tornaram personalidades da história no Brasil! Sua biografia fica para uma matéria especial!

Anônimo disse...

Obrigado pela atenção, professor!