segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Momento lírico 87

O SOLITÁRIO
(Karl Fern)

Absorto na própria solidão
Vaga um vivente sozinho
Sem uma nesga de carinho
Segue a mercê da ingratidão.

Desnorteado num submundo
Contemplando a imensidão
Sem ter do que pedir perdão
Tratado como um vagabundo.

Nos pensamentos perdido
Sob um sofrimento profundo
Infeliz sente-se moribundo
Deeprezado, um real desvalido.

Vivendo como um fracassado
Em seu mísero orgulho ferido
Abandonado e desprotegido
Sem ter futuro ou passado.

Sem motivo pra alguma emoção
Sua sina é ser mais um coitado
Para muitos um pobre danado
Que parece nem ter coração.

A vida foi-lhe sempre ingrata
Faltou-lhe um tico de afeição
Um mínimo de alguma atenção
É isso o que tanto lhe maltrata.

Se um dia mesmo embriagado
Vem-lhe uma inspiração sensata
Espera alguma atenção grata
E certamente isso será negado.

Prossegue seu infeliz destino
Andando imundo desnorteado
Solitário e sem ser amparado
Talvez carente desde menino.

Há até quem se diga cristão
Julga-se acolhido pelo Divino
Nem repara no infeliz destino
Legado pra aquele seu irmão.

Assim caminha a humanidade
Pra alguns com muita aflição
Desprotegidos e sem orientação
Jamais conhecerão a felicidade. 

Um comentário:

Anônimo disse...

Uma triste realidade, porém sempre existe uma forma de recuperação da auto-estima! Quando se recebe amor!

Bela reflexão!