domingo, 7 de outubro de 2012

Momento lírico 77

A BELEZA TRISTE
(Karl Fern)

Para muitos o que é uma sinfonia
Para mim eu vejo com muita tristeza
Ouvi o canto de uma bela ave presa
Numa gaiola condenada à revelia
Lamentando com maviosa melodia
Ter um legado dado pela natureza
Canoro e com sua natural beleza
Tolhido em sua liberdade e alegria.

Restrito em um espaço de maldade
Suas asas inúteis, sem movimento
Sofrem com o tempo o atrofiamento
No que mais lhe permitiria liberdade
Apêndices que lhe dariam capacidade
Numa gaiola se tornam sem sentido
E como um prêmio pra o objeto exibido
Botam painço como maná da piedade.
     
Por que o que é belo na natureza
Precisa se ter como objeto particular?
Uma vida que estaria em todo lugar
Torna-se escrava por pura avareza
Presunção de tamanha malvadeza!
E alguém que acha ter esse direito
Supõe que seu “preso” tá satisfeito
E canta pra agradecer sua “riqueza”.

Também tenho um viver entristecido
Uma vida de lamentos e frustração
Desolado com meu aflito coração
Cogitar uma alegria não tem sentido
Sei que ela me quer e não tem podido
Como se também fosse presa numa gaiola
Sob caprichos de outro que a controla
Sem um pingo de amor lhe oferecido!

2 comentários:

Lucena Fernandes disse...

Lindo, fascinante, fantástico, emocionante!
Parabéns!

Anônimo disse...

Às vezes me sinto assim como um pássaro preso numa gaiola! Perfeito, belíssimo, fascinante!

EMOCIONADA!