domingo, 28 de outubro de 2012

Biografias de brasileiras

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (1901-1964)
     Poetisa, professora, pedagoga e jornalista nascida na cidade do Rio de Janeiro, RJ, cuja poesia lírica e altamente personalista deu-lhe importante posição na literatura brasileira do século XX. Órfã desde os 3 anos de idade, foi criada pela avó Jacinta Garcia Benevides. Aos 9 anos de idade já ensaiava seus primeiros versos e tornou-se professora pública aos 16.
     Iniciou sua carreira literária com a publicação de Espectros (1919), uma coleção de sonetos simbolistas e aderiu ao Modernismo com Nunca mais . . . e Poema dos Poemas (1923).  Passando a se dedicar mais inteiramente à sua carreira docente (1925-1939), publicou vários livros infantis e fundou, junto com seu marido, o pintor Correia Dias, o Centro de Cultura Infantil, no Pavilhão do Morisco, na praia de Botafogo, Rio de Janeiro (1934), a primeira biblioteca infantil do país, que viria a ser invadido e fechado pela prefeitura (1937) sob uma leviana acusação de sede de atividades subversivas, e no local passou a funcionar um posto de arrecadação fiscal.
     Defendeu os princípios da Escola Nova, a escola moderna do filósofo norte-americano John Dewey, junto com Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo e Lourenço Filho, em um período de ascensão de um estado autoritário e de uma Igreja Católica que voltava a ter influência sobre o poder central, decadente desde os princípios da República. Por exemplo, são desse período a consagração de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil em grande festejo popular (1931) e em 12 de outubro do mesmo ano, a título de comemoração de um ano de revolução, a inauguração da imagem católica do regime: o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, além da inclusão do ensino religioso nas escolas públicas, por um decreto de Getúlio Vargas (1931).
     Também foi redatora de um jornal (1930), o Diário de Notícias, dirigindo uma seção diária dedicada à educação e à política, Página de Educação (1930-1933). Defensora as liberdades individuais, foi uma crítica ferrenha das atitudes de Getúlio Vargas, a quem se referia como Sr. Ditador. Foi pois, nesse período, que como jornalista lutou na imprensa pela democracia e contra o ensino religioso. Com essa convicção política colecionou inimigos e desafetos de seus ideais democráticos sobre liberdade, dentre eles o Ministro da Educação Francisco Campos e o crítico católico Alceu de Amoroso Lima, que anos depois em seu livro de memórias Companheiros de Viagem (1971), reconheceu na poetisa  uma grande figura feminina do modernismo.
     Ensinou literatura brasileira em Lisboa e Coimbra, Portugal (1934-1936), quando foi nomeada para ensinar na UFRJ, recém-fundada. Voltou a publicar (1939) e recebeu o primeiro prêmio de poesia daquele ano da Academia Brasileira de Letras com a obra Viagem (1939), em meio a uma grande polêmica política nacional em virtude de suas posições ideológicas, porém hoje considerado o marco de sua maturidade e individualidade. Daí em diante dedicou-se à carreira literária, publicando várias obras especialmente inspiradas em suas viagens, até que morreu no Rio de Janeiro, após dois casamentos e deixando três filhas.
     Outros seus livros de poesia publicados foram Criança meu amor (1924), Baladas para El-Rei (1925), Vaga Música (1942), Mar Absoluto e Outros Poemas (1945), Retrato Natural (1949), Romanceiro da Inconfidência (1953), Metal Rosicler (1960), Poemas Escritos na Índia (1962), Solombra (1963) e Ou Isto ou Aquilo (1964). Também escreveu em prosa, notadamente assuntos pedagógicos e folclóricos como Giroflê giroflá (1956), Escolha seu Sonho (1964) e Inéditos (1968). Além da atividade literária, durante toda a sua vida dedicou-se ao jornalismo. Após encerrar sua participação no Diário de Notícias (1933) foi contratada pelo carioca A Nação, no qual era proibida de escrever sobre política. Na década de 40 escreveu sobre folclore para o A Manhã, na década de 50 voltou ao Diário de Notícias e, na de 60, colaborou com a Folha.
Fonte: SÓ BIOGRAFIAS (http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/CeciliaM.html
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Um comentário:

Anônimo disse...

Esse quadro de biografias é realmente um dos melhores, conhecer um pouca da vida desses personagens é uma boa!


Ótima idéia!