sábado, 20 de outubro de 2012

Biografias de brasileiras - 06

Bertha Maria Júlia Lutz (1894-1976)
Ativista brasileira nascida em São Paulo, capital paulista, uma das pioneiras do movimento feminista no Brasil e a quem as mulheres brasileiras devem a aprovação da legislação que lhes outorgou o direito de votar e serem votadas (1932). Filha da enfermeira inglesa Amy Fowler e do cientista e pioneiro da medicina tropical Adolfo Lutz (1855-1940), foi educada na Europa, onde tomou contato com a campanha sufragista inglesa.
Formou-se em Biologia na Sorbonne e, voltando ao Brasil (1918), ingressou por concurso público como bióloga no Museu Nacional, a segunda mulher a ingressar no serviço público brasileiro. Empenhada na luta pelo voto feminino, ao lado de outras pioneiras criou a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher (1919), que foi o embrião da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, a FBPF. Representou as brasileiras na assembleia-geral da Liga das Mulheres Eleitoras, nos Estados Unidos (1922), onde foi eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana.
Finalmente, dez anos depois (1932), em 24 de fevereiro, por decreto-lei do presidente Getúlio Vargas, foi assinado o novo Código Eleitoral, onde estava previsto o direito de voto às mulheres. Dois anos depois, a Constituição (1934), de cujo comitê elaborador participaram ela pela FBPF e Nathercia Silveira, da Aliança Nacional de Mulheres, garantiu às mulheres a igualdade de direitos políticos.
Nas eleições parlamentares seguintes, candidatou-se pela Liga Eleitoral Independente, ficando na primeira suplência, mas assumindo a cadeira de deputada na Câmara Federal (1936), pela morte do titular, Cândido Pereira. No exercício parlamentar defendeu mudanças na legislação referente ao trabalho da mulher e do menor, a isenção do serviço militar, a licença de 3 meses para a gestante e a redução da jornada de trabalho, então de 13 horas. No ano seguinte (1937) Vargas fechou as casas legislativas, decretando o Estado Novo. Assim, encerrou-se a sua carreira como parlamentar e arrefeceu-se a capacidade de mobilização da FBPF, de cuja direção ela foi gradualmente se afastando.
Porém continuou no serviço público, até que se aposentou como chefe do setor de botânica do Museu Nacional (1964). Anos depois (1975), Ano Internacional da Mulher, estabelecido pela ONU, integrou a delegação brasileira no primeiro Congresso Internacional da Mulher, realizado na capital do México, uma das suas últimas participações públicas em defesa dos direitos femininos.
Faleceu no Rio de Janeiro, em setembro do ano seguinte, conhecida como a maior líder na luta pelos direitos políticos das mulheres brasileiras.

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