quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Biografias de brasileiras - 05

Carmem Velasco Portinho (1903 - 2001)
Engenheira e militante feminista brasileira nascida em Corumbá, Estado do Mato Grosso, a primeira mulher formada em Urbanismo no Brasil, ativista da organização do movimento sufragista, militando em prol da conquista da cidadania e do reconhecimento profissional das mulheres.
Mudando-se com os pais para o Rio de Janeiro aos 4 anos, ali foi educada. Filha mais velha entre nove irmãos e feminista convicta, aos 15 anos já participava ativamente dos movimentos em defesa dos direitos femininos. Desejando sua independência financeira, passou a cursar engenharia e ainda estudante, começou a dar aulas no Colégio Pedro II (1925), apesar de ser protagonista de um verdadeiro escândalo, ou seja, uma mulher ministrar aulas em um internato masculino. Tornou-se (1926) na terceira mulher a se formar em engenheira no país. Em 1929, fundou a União Universitária Feminina.
Criativa e muito inteligente, em 1936 apresentou o anteprojeto para a futura capital do Brasil no Planalto Central. Criou a Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas (1937) e conquistou o título de urbanista (1939), após concluir curso de pós-graduação na extinta Universidade do Distrito Federal, tornando-se a primeira mulher a receber o título de urbanista no Brasil, em diploma assinado pelo do poeta, romancista, musicólogo e historiador Mário Raul de Morais Andrade (1893-1945).
Começou a trabalhar na Diretoria de Obras e Viação da Prefeitura do Distrito Federal, onde, por ser mulher, teve que enfrentar sérias discriminações para ser promovida. Como técnica de engenharia na prefeitura do Distrito Federal, permaneceria até a aposentadoria (1959). Pouco antes do fim da Segunda Guerra Mundial (1944) recebeu uma bolsa do Conselho Britânico para conhecer as experiências realizadas na Inglaterra sobre habitação popular junto às comissões de reconstrução e remodelação das cidades inglesas destruídas pela guerra, o que lhe abriu novos horizontes.
Depois da guerra (1945) viajou a Paris para encontrar-se com o famoso arquiteto arquiteto, urbanista e pintor francês Charles-Edouard Jeanneret-Gris, mais conhecido como Le Corbusier (1887-1965), no estúdio da Rue de Sèvres, recém reaberto. De volta ao Brasil, tornou-se diretora do Departamento de Habitação Popular da Prefeitura do Distrito Federal (1947). Foi fundadora do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, participou de sua construção e foi sua diretora (1952-1967). Foi assessora especial do Centro de Tecnologia e Ciência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).
Faleceu no Rio de Janeiro, aos 98 anos, no dia 25 de julho, vítima de falência múltipla dos órgãos. Pioneira, previu a construção de Brasília 20 anos antes do médico mineiro e ex-presidente da República Juscelino Kubischek de Oliveira (1902-1976) idealizá-la. Em defesa dos direitos das mulheres propunha a não adoção do nome do marido ao se casarem e atuou na Federação Brasileira pelo Progresso Feminino desde sua fundação.
Manteve uma união estável com o arquiteto franco-brasileiro Affonso Eduardo Reidy (1909-1964). Não teve filhos, mas adotou informalmente uma menina de 6 anos, filha de sua irmã, morta precocemente, por coincidência, também chamada Carmen, irmã da atriz e cineasta Ana Maria Magalhães (1950- ), autora do documentário Lembranças do futuro, sobre Reidy, de 2004.

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