domingo, 29 de julho de 2012

O dogma da Imaculada Conceição

O dia 8 de dezembro é marcado por duas celebrações cristãs de significados distintos (quase antagônicos), que se confundem devido à semelhança das suas designações. A evocação popular, tradicional, celebra a Nossa Senhora da Conceição (ou Concepção), isto é, celebra o arquétipo da Maternidade. Conhecem-se desde o século VII, nomeadamente na Península Ibérica, festas com esta evocação. Até há poucos anos era nesta data, e não no segundo domingo de Maio, que se celebrava o “Dia das Mães”.
No Brasil é Padroeira paroquial em várias cidades brasileiras, sendo o dia da Imaculada Conceição feriado municipal, entre elas, Campina Grande/PB e Jardim do Seridó/RN e em muitos países como Portugal, este dia é também feriado nacional. Nossa Senhora da Conceição é a rainha e padroeira de Portugal desde a Dinastia de Bragança.
O conceito teológico oficial é o do dogma da Imaculada Conceição de Maria, definido em 1854 pelo papa Pio IX (1792-1878), Papa da igreja católica romana (1846-1878) nascido em Senigallia, Ancona, cujas ações mais marcantes no seu pontificado para a história do catolicismo, além da proclamação desse dogma, foi condenar a ideologia liberal na encíclica Quanta cura (1864), ao mesmo tempo em que a autoridade do papa era declarada sobre toda a Igreja, e convocar o Concílio Vaticano I (1869), que estabeleceu o dogma da infalibilidade papal (1870).  Este dogma nada tem a ver com o conceito popular: afirma que Maria, mãe de Jesus, teria também sido gerada sem cópula carnal de seus pais (Ana e Joaquim); celebra, por isso, a castidade. Esta ideia começou a surgir no século XII, tendo causado intensa polémica e sido rejeitada por importantes teólogos, incluindo São Bernardo e São Tomás de Aquino, e condenada pelo papa Bento XIV em 1677, até ter sido aceite como dogma em 1854.
O dogma da Imaculada Conceição não é aceito pelas Igreja Ortodoxa. A Igreja Ortodoxa acredita que Maria foi uma pessoa muito devotada a Deus e que levou uma vida santa, como dizia os pais da Igreja, evitando os pecados atuais. As Igrejas Anglicanas possuem a mesma doutrina das Igrejas Ortodoxas. A Igreja Luterana e as Igrejas Reformadas também não aceitam esta doutrina católica romana devido a diferentes interpretações do fundamento bíblico.
A pureza de Maria também é afirmada no Islã, onde por incrível que pareça para os cristãos, sua hagiografia é muito mais relevante e mais extensa. Alguns dos títulos marianos no Islã realçam este fato.

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