domingo, 29 de julho de 2012

A Peste Negra: I - História e números

Do Extremo Oriente veio um mal de virulência sem precedentes que, entre 1346 e 1352, arrastou pelo menos um terço da população europeia. A maior onda de mortalidade que jamais varreu o mundo ficou conhecida como Peste Negra.
A doença atacava de três formas, todas causadas pela bactéria Pausteurella pestis. Transmitida pelas pulgas contaminadas com a bactéria da peste associadas aos ratos que infestavam a maioria das casas da época, mas isso só seria descoberto muitos séculos depois. Quando os ratos morreram e a população de roedores declinou, as pulgas se voltaram para o sangue quente dos humanos.
O mecanismo terrível da peste parece ter sido posto em movimento no deserto de Gobi, na Mongólia. No final da década de 1320, ali irrompeu uma epidemia entre os roedores e fez suas primeiras vítimas entre os cavaleiros nômades mongóis, que espalharam a doença por todo seu extenso império. As rotas comerciais  do Caminho da Seda, pelo qual seda e peles iam da China para oeste, expuseram toda a Ásia central à doença; em 1345, Astracan, as margens do rio Volga, e Caffa, junto ao Mar Negro, já tinham sucumbido às pulgas infectadas que saltavam de carregamentos de peles. O mar Negro marcava o fim das rotas comerciais terrestres que vinham da China e o começo das marítimas que levavam à Europa.
No final de 1347, os ratos que infestavam os porões dos navios mercantes italianos já tinham levado a pestilência para os portos do Mediterrâneo, de onde alcançou rapidamente a costa atlântica da França. A Inglaterra pagou caro pela importação de vinhos: dentro de um ano, a Peste Negra chegou inadvertidamente junto com o clarete, um típico vinho da região de Bordeaux. Em 1352, já se espalhava para a Escadinávia, Alemanha, Polônia e, por fim, chegou â Rússia. Quatro anos após sua entrada na Europa, a Peste Negra ceifara mais de 20 milhões de vidas.
Fonte: Vários autores - “História em Revista”, Abril Livros Ltda, Rio de Janeiro, 1993.

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