domingo, 10 de junho de 2012

Momento lírico 30

 A DOR DE UM POETA (II)
(Karl Fern)

Que faz um poeta sozinho
Abandonado pela amada!
Observa perdido a enseada,
Na mente um redemoinho,
Prevê um futuro mesquinho
Pensa, pensa, não diz nada.

Sua voz permanece calada,
No olhar há desalento,
Na alma muito tormento,
A solidão campeia malvada,
Luz do dia nem é notada,
Não há brisa tampouco vento.

Quem sabe nesse tormento
Numa esperança derradeira,
Aporte em nova porteira
Que traga novo momento,
E seja um remédio bento
Pra tamanha desgraceira.

Apenas ilusão passageira
Que revolve a imaginação,
Tristeza volta ao coração
Vestígios da alegria primeira.
Que ardem em uma fogueira
De amor, dor e frustração.

A realidade da separação
Abriu-lhe enorme ferida.
E aquela imagem querida,
Hoje é penosa recordação.
E seu corpo sofre a aflição
Da perda do que foi sua vida!

2 comentários:

Anônimo disse...

Muito lindo, porém muito triste!

Lucena Fernandes disse...

Quanta desesperança!