quinta-feira, 14 de junho de 2012

Humor: Zé Limeira, o poeta do absurdo


Versos copiados  do livro de Orlando Tejo, “Zé Limeira o Poeta do Absurdo”, sobre as cantorias do famoso e folclórico cantador que viveu no Sertão da Paraíba e do Ceará. Aqui uma visão das Escrituras segundo o espalhafatoso violeiro!

Quando Jesus veio ao mundo
Foi só pra fazer justiça,
Com treze ano de idade
Discutiu com a doutoriça
Com trinta ano depois
Sentou praça na puliça.

Saíram lá de Belém,
Cristo, Maria e José,
Passaram por Nazaré
Foram pra Betelelém
Chupô cana num engém
Pediu arrancho num brejo
De noite arrumou um tejo
Lá perto de Piancó
Na sexta-feira maió.

Jesus saiu de Belém
Viajando para o Egito
No seu jumento bonito
Com uma carga de xerém
Mais tarde pegou um trem
Nossa Senhora castiça
De noite ele rezou missa
Na casa dum fogueteiro
Gritava um pai-de-chiqueiro
Viva o chefe de puliça.

Foi home de muita fama
Dentro de Cafarnaum
Feliz da mesa que tem
Costela de gaiamum
No sertão do Cariri
Vi um casal de siri
Sem compromisso nenhum.

6 comentários:

Lucena Fernandes disse...

Desde pequena ouço as poesias de Zé Limeira. O meu pai gostava muito!Por isso gosto delas assim mesmo, com finais imprevisíveis!

José Roberto disse...

Minha homenagem ao grande Zé Limeira:

Foi num porto da Bahia
Que Dom João chegou bem cedo
Dava pra contar no dedo
A bagagem que trazia
Uma dúzia de bacia
Dois fardos de algodão
Gasolina de avião
Do café trouxe a semente
Duas bíblias uma de crente
Outra do rei Salomão

Cristo enforcou Jesus
Na beira do rio Jordão
Na noite de São João
Num galho de cipó-cruz
Comeu pirão com cuzcuz
No meio da cabroeira
Na noite de sexta-feira
Cantou prosa e rezou missa
José e Maria castiça
Diria assim Zé Limeira

No tempo da ditadura
Eu rezei pro pai eterno
Fez sol mas deu bom inverno
Plantei fava e rapadura
Veja só que formosura
A “muié” de Barbosinha
Se ela tivesse sozinha
E o cachorro amarrado
Eu levava ela prum lado
E uma cuia de farinha

O pai da aviação
Por nome Drumon Andrade
Sem dó e nem piedade
Se atracou com Lampião
Na bainha um facão
Na matula um castiçal
Gritou pra São Nicolau
Acuda-me nessa hora
Disse isso e foi-se embora
Deixando um cartão postal

Por causa da Ditadura
O Brasil foi descoberto
Um navio chegou perto
Da curva da ferradura
Dom Pedro fez a leitura
Na borda da ribanceira
Cabral trouxe uma cadeira
Sem dó e sem ter clemência
Proclamou a independência
Diria assim Zé Limeira

No dia em que eu falecer
Peço pro povo velante
A noite toquem um berrante
Botem pinga pra beber
Espero comparecer
Virgulino Lampião
Patativa e Gonzagão
O dono da Coca-Cola
Mais Pelé o Rei da bola
E o pai da aviação

(Zé Roberto)

Studio 1 disse...

na segunda poesia ,ultima estrofe o poeta se refere a Pelé o Rei da bola sendo que ele faleceu em 1954 quando Pelé ainda nem havia começado a jogar bola... serão estes versos de Zé Limeira mesmo?

Professor Carlão disse...

Caro amigo!
Veja que a poesia é uma composição de "José Roberto" em homenagem ao "estiloso" Zé Limeira. Logo a estrofe é cabível em virtude de sua característica também absurda!
Um fraterno abraço, Carlos.

José Roberto disse...

Correto Professor Carlos. São todas escritas por mim, pois gosto desse estilo (Estilo Zé Limeira)e brinco com eles misturando fatos, datas e invencionices. Lógico, bem longe do Mestre Zé Limeira. Abraços. Zé Roberto

José Roberto disse...

É isso mesmo Professor "Carlão". São meus esses versos. É que gosto de brincar nesse estilo.
Zé Roberto